A buzina que corta o ar, o mar de gente na Avenida Paulista, as cores de um grafite escondido no Beco do Batman, o som abafado do metrô. São Paulo é uma sinfonia do caos. Para muitos, essa sobrecarga de estímulos é esmagadora. Para mim, por muito tempo, foi apenas um espelho do que acontecia dentro da minha própria cabeça.

Meu nome é [Seu Nome] e sou fotógrafo. Também tenho Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). E nesta cidade que nunca dorme, encontrei o cenário perfeito para a minha mente que nunca para. Este é um pouco do meu relato sobre como é navegar a carreira artística, os desafios e as incríveis vantagens de ser um fotógrafo com TDAH no coração de Sampa.

O Diagnóstico e o “Clique” da Câmera e da Consciência

Por anos, senti que operava numa frequência diferente. A empolgação avassaladora por um novo projeto que se esvaía em dias, a dificuldade em organizar tarefas administrativas (editar fotos, responder e-mails… a luta é real!), e ao mesmo tempo, uma capacidade quase sobre-humana de notar detalhes que ninguém mais via. Eu me sentia desfocado, desorganizado, e muitas vezes, insuficiente.

O diagnóstico de TDAH não veio como uma sentença, mas como uma chave. A peça que faltava para entender meu próprio manual de instruções. Foi o “clique” da consciência, que aconteceu quase ao mesmo tempo que o clique da minha primeira câmera. E foi aí que tudo mudou. Percebi que a minha “distração” era, na verdade, uma atenção panorâmica. Eu não via uma coisa de cada vez; eu via tudo, o tempo todo.

São Paulo: O Caos Perfeito Para a Mente Hiperativa

Muitos artistas buscam o silêncio e a tranquilidade para criar. Eu tentei, mas o silêncio sempre foi barulhento demais para mim. São Paulo, com sua desordem vibrante, se tornou meu playground. A cidade oferece o fluxo constante de estímulos que meu cérebro anseia.

Enquanto um fotógrafo neurotípico pode se sentir sobrecarregado, eu me sinto em casa. Meu TDAH me permite caminhar pela Sé e, em meio a milhares de rostos, encontrar o olhar único de uma pessoa que conta uma história. Permite que eu perceba a geometria improvável formada pelos fios nos postes do Bixiga. A cidade não me distrai, ela me oferece infinitos pontos de foco. O desafio não é encontrar algo para fotografar, mas escolher qual das cem coisas que vi no último minuto merece o meu clique.

A Câmera Como Ferramenta de Foco e o Superpoder do Hiperfoco

Se São Paulo é o caos, a minha câmera é a minha âncora.

Quando levo o olho ao visor, o universo de 360 graus se reduz a um retângulo controlável. Naquele momento, o mundo exterior desaparece. O barulho, as outras pessoas, minhas próprias listas de tarefas mentais… tudo se dissolve. Existe apenas o enquadramento, a luz, a composição. É aqui que o TDAH me entrega seu maior superpoder: o hiperfoco.

Posso passar horas fotografando um único tema, completamente imerso, perdendo a noção do tempo. É um estado de fluxo que muitos artistas buscam, e que para mim, é uma característica neurológica. É a minha maneira de meditar, de organizar o mundo em frações de segundo, de criar ordem a partir do caos.

Abraçando a Jornada, um Clique de Cada Vez

Ser um fotógrafo com TDAH em São Paulo não é uma jornada linear. Existem dias de frustração, em que a papelada se acumula e a procrastinação vence. Mas também existem os dias em que a minha mente e a cidade dançam na mesma sintonia, resultando em imagens que eu não conseguiria criar de nenhuma outra forma.

Aprendi que meu TDAH não é um obstáculo para a minha arte; ele é parte fundamental da minha assinatura artística. Ele dita o que eu vejo, como eu vejo e por que eu aperto o botão.

A jornada continua, cheia de desafios, mas também de uma beleza única, encontrada nos detalhes que só uma mente inquieta consegue capturar. Um clique de cada vez.


E você? Como suas características únicas moldam sua paixão ou profissão? Já se sentiu diferente e descobriu que isso era, na verdade, sua maior força? Deixe seu comentário abaixo, adoraria conhecer sua história! E não se esqueça de me seguir no Instagram @leo100tdah para ver São Paulo através das minhas lentes.


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